
No outro dia fui à aldeia de Cotelo – Castro Daire, na serra da Gralheira inserida no maciço do Montemuro, e passei por uma zona serrania ventosa e pouco arborizada, de planaltos muito extensos onde correm regatos que dividem as belgas cultivadas. Estes planaltos têm um panorama surpreendente quando comparados com as encostas fechadas e verdejantes do Vouga, a pouco mais de 30 Km dali. Cotelo está a cerca de 6 km a oeste do nó de Bigorne da A24, entre Castro Daire e Lamego.
Depois de fazer o meu trabalho tive ainda tempo para fruir um pouco daquele sossego. Afinal, mesmo sendo eu amante das urbes, concedo que não é todos os dias que encontro um local onde o ruído dominante é a água a correr nos ribeiros e os chocalhos das cabras a pastar. À mistura com o vento que passava, juro que não se ouvia mais nada. Bucólico e melancólico como alguns filmes de Manoel de Oliveira. Meti-me no carro, dei à chave e vim-me embora daquele sítio ao qual não pertencia.